sexta-feira, 19 de abril de 2013

Os jovens (ainda) sabem pensar :)


O sentido da vida humana não está logo inteiramente dado à partida. O valor da vida de uma pessoa dependerá do que ela fizer. A sua vida terá tanto mais sentido quanto maiores bens cognitivos, éticos ou outros, ela criar. Esta é uma ideia importante que explica, aliás, algumas das nossas intuições quando avaliamos a vida de um ser humano.

Contudo, se quisermos continuar a pensar que a vida humana tem valor em si mesma, a vida de Ghandi tem tanto sentido como a de Hitler. E se tudo o que contasse para o sentido da vida fosse o facto de as pessoas alcançarem os seus propósitos (o sentido subjetivo da vida), a vida de um assassino como Hitler teria o mesmo sentido do que a de um benfeitor como Ghandi. Só quando compreendemos que o sentido da vida humana é uma consequência dos bens objetivos que essa vida trouxe à existência, podemos explicar a intuição comum de que entre a vida de Hitler e a de Ghandi há uma diferença fundamental.

«É em princípio possível viver uma vida feliz, mas sem qualquer sentido se essa vida não cultivar valores objetivos. Todavia, parece realmente haver algo na psicologia humana que impede as pessoas de serem inteiramente felizes a menos que a sua vida tenha objetivamente sentido. Se assim for, esse será um acaso natural feliz, que permitirá chegar à vida plena de sentido se nos limitarmos a procurar a verdadeira felicidade.»

Um universo sem seres humanos é, à partida, um universo com menos valor não porque um deus tenha determinado a nossa existência, mas porque somos seres capazes de criar coisas que têm objetivamente valor. O sentido da nossa vida não nos foi entregue por uma qualquer divindade; a escolha está nas nossas mãos. Podemos viver uma vida com sentido procurando atingir finalidades como o conhecimento, o bem moral ou a beleza. Ou podemos viver uma vida fútil, egoísta, voltada para nós próprios, cega e insensível ao que se passa à nossa volta. É esta escolha fundamental que caracteriza, precisamente, a condição humana. Mas dessa escolha e da aposta em cultivar atividades com valor objetivo parece depender o sentido objetivo da minha vida e, por arrastamento, o provável sentido subjetivo da mesma. Logo, não gostaria de perder esta escolha e esta aposta.

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